A sustentabilidade já faz parte das decisões de muitos hotéis. Redução de desperdício, economia de água, eficiência energética, escolha de fornecedores responsáveis e diminuição de resíduos são práticas cada vez mais presentes no setor.
Mas uma nova abordagem começa a ampliar essa discussão: a hotelaria regenerativa.
Em vez de perguntar apenas como reduzir os impactos negativos de uma hospedagem, a proposta regenerativa parte de outra questão: como a operação de um hotel pode gerar impactos positivos para o destino, para a comunidade e para o meio ambiente?
Essa mudança de perspectiva amplia o papel da hotelaria.
O hotel deixa de ser visto somente como uma empresa que precisa consumir menos recursos e passa a ser compreendido como parte de um ecossistema formado por hóspedes, colaboradores, fornecedores, produtores locais, comunidades e o próprio território onde está inserido.
Neste artigo, vamos entender o que é hotelaria regenerativa, quais são suas diferenças em relação à sustentabilidade tradicional e como esse conceito pode ser aplicado de maneira prática na operação hoteleira.
O que é hotelaria regenerativa?
A hotelaria regenerativa é uma abordagem que busca fazer com que a atividade de hospedagem contribua positivamente para os sistemas sociais, ambientais e econômicos que existem ao seu redor.
Isso significa ir além da redução de impactos.
Uma operação sustentável pode buscar consumir menos água.
Uma operação regenerativa pode, além disso, contribuir para recuperar ecossistemas, fortalecer produtores locais ou gerar benefícios duradouros para determinada comunidade.
Essa diferença parece pequena, mas representa uma mudança importante de pensamento.
A sustentabilidade tradicional costuma trabalhar muito com a ideia de:
- reduzir;
- economizar;
- compensar;
- reciclar;
- minimizar impactos.
A lógica regenerativa acrescenta outros verbos:
- restaurar;
- fortalecer;
- recuperar;
- devolver;
- desenvolver.
O objetivo passa a ser criar uma relação mais positiva entre a operação e o lugar onde ela acontece.
Sustentabilidade e regeneração são a mesma coisa?
Não exatamente.
A sustentabilidade continua sendo extremamente importante.
Medidas como redução do consumo de água, eficiência energética, diminuição de resíduos e gestão responsável de insumos são fundamentais para uma operação hoteleira mais eficiente.
A diferença é que a hotelaria regenerativa procura avançar além da redução de danos.
Podemos imaginar três cenários.
No primeiro, um hotel utiliza uma grande quantidade de recursos e não possui políticas claras de redução de impactos.
No segundo, passa a economizar água, reduzir desperdícios, separar resíduos e buscar soluções mais sustentáveis.
No terceiro, além dessas práticas, começa a investir em fornecedores locais, recuperar áreas naturais, desenvolver projetos com a comunidade ou fortalecer cadeias produtivas regionais.
É nesse terceiro estágio que começa a aparecer a lógica regenerativa.
Portanto, a regeneração não substitui a sustentabilidade. Ela amplia seu alcance.
Por que esse conceito está ganhando espaço na hotelaria?
A relação entre turismo e território está mudando.
Durante muitos anos, parte da lógica do turismo esteve concentrada em levar o maior número possível de visitantes para um destino.
Hoje, cresce a discussão sobre como receber pessoas sem comprometer aquilo que torna o próprio lugar especial.
Isso é particularmente importante em destinos com:
- ecossistemas sensíveis;
- pequenas comunidades;
- patrimônio histórico;
- culturas tradicionais;
- áreas naturais;
- recursos limitados.
Uma operação hoteleira gera movimentação econômica, mas também utiliza água, energia, alimentos, produtos de higiene, enxoval, materiais de limpeza e uma grande quantidade de outros recursos.
Por isso, a forma como o hotel compra, contrata, descarta e se relaciona com o entorno pode produzir impactos muito além de seus quartos.
A hotelaria regenerativa procura enxergar justamente esse sistema completo.
A sustentabilidade continua sendo a base
Antes de pensar em regeneração, existe uma etapa essencial: tornar a própria operação mais eficiente.
Não faz sentido desenvolver um grande projeto ambiental enquanto continuam existindo desperdícios facilmente evitáveis no cotidiano do hotel.
Isso inclui acompanhar:
- consumo de água;
- consumo de energia;
- geração de resíduos;
- desperdício de alimentos;
- consumo de produtos por diária;
- estoques;
- descartes desnecessários.
Já abordamos parte desse conceito no post consumo de amenities em hotel e planejamento de estoque.
Acompanhar o consumo real ajuda a evitar compras excessivas, desperdícios e perdas.
Esse princípio vale para diferentes áreas.
Antes de regenerar, é necessário compreender como a operação consome recursos.
Redução de desperdício é apenas o começo
Um hotel pode começar seu caminho por decisões relativamente simples.
Por exemplo:
- melhorar previsão de compras;
- reduzir itens que raramente são utilizados;
- evitar reposições automáticas desnecessárias;
- melhorar gestão de validade;
- reutilizar materiais quando houver possibilidade segura;
- separar resíduos corretamente;
- rever processos de lavanderia;
- reduzir desperdício de alimentos.
Essas medidas já representam avanços importantes.
No entanto, a lógica regenerativa pergunta:
O que acontece depois?
O resíduo gerado pelo hotel pode entrar em alguma cadeia de reaproveitamento?
Produtos orgânicos podem virar compostagem?
O hotel pode trabalhar com cooperativas?
Parte dos alimentos pode vir de produtores da região?
Materiais poderiam retornar para fornecedores?
Esse tipo de pensamento aproxima a hotelaria dos princípios da economia circular.
Economia circular e hotelaria regenerativa
Na economia tradicional, o processo muitas vezes segue uma lógica linear:
extrair → produzir → consumir → descartar.
A economia circular procura reduzir essa perda de recursos.
A proposta é manter materiais em circulação pelo maior tempo possível por meio de reutilização, reciclagem, recuperação e novos modelos de fornecimento.
Na hotelaria, isso pode aparecer de várias maneiras.
Um hotel pode rever:
- embalagens utilizadas pelos fornecedores;
- materiais descartáveis;
- sobras de alimentos;
- mobiliário substituído;
- equipamentos;
- resíduos orgânicos;
- produtos utilizados nos apartamentos.
A própria discussão sobre sustentabilidade em amenities já vem incorporando aspectos como refis, embalagens recicláveis e redução de desperdícios. Já falamos sobre essas práticas no conteúdo sobre tendências de bem-estar e amenities para hotelaria.
Mas a lógica circular pode envolver praticamente toda a cadeia de fornecimento.
Fornecedores locais podem fazer parte da estratégia regenerativa
Uma das possibilidades mais interessantes é rever onde o dinheiro gasto pelo hotel circula.
Hotéis compram grandes quantidades de produtos.
Alimentos, bebidas, produtos de higiene, itens de manutenção, decoração, móveis, enxoval, serviços e muitos outros insumos fazem parte da operação.
Quando parte dessas compras é direcionada a fornecedores locais, o impacto econômico da hospedagem pode permanecer por mais tempo no próprio destino.
Isso pode fortalecer:
- pequenos produtores;
- agricultores;
- artesãos;
- prestadores de serviços;
- empreendedores locais;
- cooperativas.
O benefício não precisa ser apenas econômico.
Produtos locais também podem ajudar a contar a história do destino.
Um hotel boutique, por exemplo, pode trabalhar com alimentos, objetos decorativos ou experiências que tenham conexão com a cultura da região.
No conteúdo sobre amenities para hotel boutique e projetos de hospedagem, destacamos como ingredientes, produtos e elementos regionais podem integrar a narrativa da hospedagem.
Dentro da hotelaria regenerativa, essa relação pode ir ainda mais longe.
O hotel pode fortalecer a cultura local
Destinos turísticos não são apenas paisagens.
Eles possuem histórias, tradições, gastronomia, produção artesanal, música, arquitetura e formas próprias de viver.
Uma abordagem regenerativa procura evitar que a experiência turística transforme essas características apenas em decoração.
O hotel pode ajudar a fortalecer a cultura local ao:
- contratar profissionais da região;
- trabalhar com artistas locais;
- oferecer produtos de produtores próximos;
- promover experiências conduzidas pela comunidade;
- divulgar negócios locais;
- valorizar conhecimentos tradicionais.
O hóspede passa a ter uma experiência mais autêntica.
Ao mesmo tempo, parte do valor gerado pelo turismo permanece no território.
Essa relação ajuda a diferenciar o hotel sem necessariamente exigir uma estrutura mais sofisticada.
Comunidade não deve ser apenas cenário para o turismo
Um dos cuidados mais importantes da hotelaria regenerativa é evitar uma relação em que o destino existe apenas para atender o visitante.
Moradores também utilizam infraestrutura, recursos naturais e serviços.
Por isso, o crescimento do turismo precisa considerar a qualidade de vida da população local.
Projetos regenerativos podem envolver:
- capacitação profissional;
- oportunidades de emprego;
- programas educacionais;
- apoio a iniciativas comunitárias;
- parcerias com organizações locais;
- investimentos em infraestrutura compartilhada.
Isso transforma a hospitalidade em uma atividade mais integrada à comunidade.
Um destino saudável para os moradores tende a ser também um destino mais interessante para os visitantes.
A regeneração ambiental pode acontecer dentro e fora do hotel
Dependendo da localização, o hotel também pode participar diretamente da recuperação ambiental.
Em destinos naturais, isso pode envolver:
- recuperação de vegetação nativa;
- proteção de nascentes;
- reflorestamento;
- restauração de manguezais;
- conservação de fauna;
- recuperação de trilhas;
- apoio a unidades de conservação.
O importante é que essas ações estejam ligadas às necessidades reais do território.
Plantar árvores aleatoriamente apenas para gerar uma fotografia para redes sociais não representa necessariamente uma estratégia regenerativa.
Regeneração precisa gerar benefício mensurável e duradouro.
Por isso, parcerias com especialistas, organizações ambientais e comunidades locais podem ser importantes.
Água é um tema central para a hotelaria
O consumo de água é especialmente relevante no setor.
Banheiros, piscinas, lavanderias, cozinhas, jardins e áreas comuns podem gerar volumes significativos de utilização.
Hotéis podem trabalhar inicialmente com medidas de eficiência, como:
- equipamentos com menor vazão;
- monitoramento de consumo;
- manutenção de vazamentos;
- programas de reutilização de toalhas;
- gestão eficiente da lavanderia.
Uma abordagem mais avançada pode considerar:
captação de água de chuva;
reuso de água para determinadas finalidades;
proteção de nascentes;
projetos de recuperação de bacias hidrográficas.
Assim, a questão deixa de ser apenas “quanto o hotel consome?” e passa a incluir “como ele pode contribuir para a disponibilidade de água no território?”.
Energia também pode evoluir da eficiência para a geração
O mesmo raciocínio vale para energia.
O primeiro nível é reduzir consumo.
Isso pode acontecer com:
- iluminação eficiente;
- sensores;
- automação;
- manutenção de equipamentos;
- gestão de ar-condicionado.
O nível seguinte é analisar a origem da energia.
Painéis solares e contratação de fontes renováveis podem fazer parte desse caminho.
Dependendo da operação, um empreendimento pode inclusive produzir parte relevante da energia que utiliza.
Novamente, a lógica regenerativa procura transformar uma operação passiva em participante ativa da solução.
Gastronomia possui grande potencial regenerativo
Restaurantes e cafés da manhã são áreas com enorme possibilidade de impacto.
A compra de alimentos movimenta uma cadeia extensa.
Ao priorizar produtores próximos quando houver viabilidade, o hotel pode:
- reduzir determinadas distâncias logísticas;
- fortalecer agricultura local;
- oferecer alimentos sazonais;
- valorizar gastronomia regional;
- criar experiências mais autênticas.
Também é possível desenvolver estratégias para reduzir desperdícios.
Planejamento de buffet, aproveitamento integral de ingredientes, compostagem e doação de excedentes dentro das normas aplicáveis podem integrar essa política.
Em alguns casos, hotéis também desenvolvem hortas próprias.
Isso não significa produzir toda a alimentação internamente.
O objetivo é criar relações mais inteligentes entre consumo, território e produção.
O hóspede também pode participar
Uma estratégia regenerativa não precisa acontecer apenas nos bastidores.
O hóspede pode ser convidado a participar.
O importante é evitar transformar a sustentabilidade em uma sequência de regras ou cobranças.
Uma abordagem interessante é oferecer possibilidades.
Por exemplo:
- participar de uma atividade de conservação;
- conhecer produtores locais;
- visitar uma horta;
- aprender sobre a biodiversidade do destino;
- contribuir para projetos comunitários;
- escolher experiências de turismo local.
Assim, o próprio ato de viajar pode gerar conhecimento e contribuição positiva para o destino.
Isso também cria memórias mais significativas do que experiências totalmente padronizadas.
Hotelaria regenerativa pode melhorar a experiência do hóspede?
Sim, justamente porque ela pode tornar a hospedagem mais conectada ao lugar.
Em uma hotelaria muito padronizada, existe o risco de diferentes destinos parecerem iguais.
O quarto possui os mesmos elementos.
O café da manhã oferece itens semelhantes.
A decoração segue referências parecidas.
A regeneração pode ajudar a fazer o caminho contrário.
Ao trabalhar cultura, ingredientes, fornecedores, história e natureza local, o hotel cria uma experiência que dificilmente poderia ser reproduzida em outro lugar.
Isso pode aumentar a percepção de autenticidade e identidade da hospedagem.
Regeneração não deve virar greenwashing “maquiagem verde”
À medida que a sustentabilidade ganha importância para consumidores e empresas, cresce também o risco de utilizar conceitos ambientais apenas como ferramenta de comunicação.
Greenwashing acontece quando uma empresa transmite uma imagem ambientalmente responsável que não corresponde à realidade de suas práticas.
Isso pode acontecer por meio de:
- afirmações vagas;
- ações pontuais tratadas como grandes projetos;
- ausência de métricas;
- falta de transparência;
destaque para pequenas melhorias enquanto impactos maiores são ignorados.
A hotelaria regenerativa exige ainda mais cuidado.
Se a proposta é gerar impacto positivo, o hotel precisa conseguir mostrar qual impacto está sendo produzido.
Por isso, metas, indicadores e acompanhamento são importantes.
Como medir uma estratégia regenerativa?
Os indicadores dependem do projeto.
Alguns exemplos podem incluir:
- percentual de compras realizadas com fornecedores locais;
- quantidade de resíduos desviados de aterros;
- redução do consumo de água;
- percentual de energia renovável;
- volume de resíduos compostados;
- área ambiental recuperada;
- número de profissionais locais contratados;
- recursos destinados a projetos comunitários.
Esses indicadores permitem acompanhar a evolução.
Também tornam a comunicação mais transparente.
É muito mais relevante dizer:
40% dos alimentos utilizados pelo hotel são comprados de produtores da região.
do que simplesmente afirmar:
valorizamos fornecedores locais.
Dados tornam a sustentabilidade mais concreta.
Pequenos hotéis também podem ser regenerativos?
Sim.
Hotelaria regenerativa não precisa significar grandes investimentos. Na realidade, pequenas pousadas podem até ter algumas vantagens.
Elas frequentemente possuem uma relação mais próxima com:
- fornecedores locais;
- comunidade;
- hóspedes;
- cultura regional.
Uma pousada pode começar simplesmente revendo sua cadeia de compras.
- Pode contratar artistas locais.
- Pode recomendar restaurantes independentes.
- Pode comprar alimentos de produtores próximos.
- Pode reduzir desperdício.
- Pode apoiar um projeto ambiental existente.
O importante é construir uma estratégia coerente com a escala da operação.
Regeneração não é sobre fazer tudo. É sobre criar impacto positivo dentro das possibilidades do negócio.
Como começar uma estratégia de hotelaria regenerativa?
O primeiro passo é compreender o impacto atual da operação.
O hotel pode mapear:
- o que compra;
- de onde compra;
- quanto consome;
- quanto descarta;
- quem emprega;
- como utiliza água e energia;
- como se relaciona com o território.
Depois, é possível identificar áreas prioritárias.
Por exemplo:
- Se existe muito desperdício de alimentos, começar pela gastronomia.
- Se a região enfrenta escassez hídrica, priorizar água.
- Se existe forte produção artesanal local, aproximar fornecedores.
- Se o destino possui ecossistemas sensíveis, apoiar conservação.
- Não existe um único modelo de hotel regenerativo.
A estratégia precisa nascer das necessidades do território e da realidade da operação.
O papel das compras e da cadeia de fornecimento
Boa parte do impacto de um hotel acontece antes mesmo de o produto chegar ao empreendimento.
Cada compra envolve:
- matéria-prima;
- fabricação;
- embalagem;
- transporte;
- armazenamento;
- descarte.
Por isso, fornecedores também fazem parte da estratégia.
O setor de compras pode começar a avaliar critérios além de preço.
Entre eles:
- qualidade;
- durabilidade;
- distância logística;
- embalagem;
- possibilidade de reciclagem;
- previsibilidade de fornecimento;
- redução de desperdício.
Um produto muito barato que gera perda, excesso de consumo ou descarte pode não representar a opção mais eficiente.
Esse mesmo raciocínio aparece no artigo da Ibasa sobre consumo de amenities em hotel, que mostra como acompanhar consumo por diária ajuda a tomar decisões melhores de compra e estoque.
Onde a IBASA entra nessa discussão?
A hotelaria regenerativa envolve muito mais do que produtos de higiene.
Ela depende de gestão, território, energia, água, alimentos, fornecedores e comunidade.
Mas as decisões de compra realizadas dentro do banheiro também fazem parte desse sistema.
Hotéis utilizam diariamente sabonetes, shampoos, condicionadores, hidratantes e outros produtos.
Por isso, analisar quantidade, formato, consumo, rendimento e desperdício é uma maneira prática de tornar a operação mais eficiente.
A Ibasa do Brasil atua no desenvolvimento e fabricação de produtos de higiene pessoal e cosméticos para hotelaria, permitindo que hotéis e pousadas escolham soluções de acordo com seu perfil de operação.
Essa decisão pode considerar:
- consumo médio por diária;
- quantidade adequada;
- perfil dos hóspedes;
- necessidade de reposição;
- formatos de embalagem;
- redução de desperdício;
- experiência desejada.
O objetivo não precisa ser simplesmente reduzir produto.
Uma estratégia responsável procura equilibrar qualidade, experiência do hóspede e eficiência no uso de recursos.
Esse conceito também aparece nas discussões da Ibasa sobre tendências de bem-estar e sustentabilidade na hotelaria.
Sustentabilidade não precisa reduzir a percepção de qualidade
Uma preocupação comum dos hotéis é que mudanças ambientais sejam percebidas pelo hóspede apenas como redução de custos.
Isso pode acontecer quando a mudança é mal executada.
Retirar itens sem explicação, reduzir qualidade ou adotar soluções pouco práticas pode gerar essa impressão.
Por outro lado, práticas sustentáveis bem planejadas podem aumentar a percepção de valor.
Isso acontece quando existe:
- qualidade;
- comunicação;
- propósito;
- facilidade de uso;
- coerência.
O hóspede precisa perceber que a mudança faz parte de uma estratégia, não simplesmente de uma economia.
Do hotel sustentável ao hotel regenerativo
Podemos pensar nessa evolução em etapas.
Um hotel inicialmente procura reduzir seus impactos negativos. Depois, começa a entender melhor toda sua cadeia de consumo.
Em seguida, cria relações mais fortes com fornecedores e comunidade. Finalmente, começa a participar ativamente da recuperação e do fortalecimento do território.
É aí que a hotelaria regenerativa começa a ganhar forma.
O hotel deixa de perguntar somente:
“Como podemos causar menos impacto?”
e passa a perguntar:
“Como nossa presença pode tornar este lugar melhor?”
Essa pergunta modifica a maneira como decisões são tomadas.
O futuro da hospitalidade pode estar na relação com o lugar
Tecnologia, automação e personalização continuarão transformando a hotelaria.
Mas existe outro movimento igualmente importante: a busca por experiências mais autênticas e conectadas ao destino.
A hotelaria regenerativa se encaixa nesse contexto porque aproxima negócio, comunidade e ambiente.
Para o hóspede, isso pode significar uma viagem mais significativa.
Para o destino, pode representar uma atividade econômica mais integrada.
Para o hotel, pode se transformar em diferenciação, fortalecimento de marca e uma relação de longo prazo mais saudável com o lugar onde opera.
A regeneração não significa abandonar eficiência ou rentabilidade. Significa compreender que a prosperidade do hotel depende também da prosperidade do ecossistema que o cerca.
Como a IBASA pode contribuir para uma hotelaria mais eficiente e responsável
Nenhum fornecedor isolado transforma um hotel em regenerativo.
Esse processo depende de dezenas de decisões tomadas ao longo da operação.
Mas cada área pode contribuir.
Na escolha de produtos de higiene e cosméticos, por exemplo, hotéis podem trabalhar com planejamento de consumo, volumes adequados, redução de perdas e uma seleção coerente com o perfil das estadias.
A IBASA do Brasil pode apoiar hotéis e pousadas na escolha de soluções para higiene pessoal e experiência do hóspede, considerando também aspectos de eficiência operacional.
Ao compreender consumo, estoque, reposição e perfil dos clientes, o empreendimento consegue tomar decisões mais conscientes sobre os produtos utilizados diariamente.
Construir uma hotelaria mais responsável começa justamente pela soma de pequenas decisões bem planejadas ao longo de toda a operação.
Hotelaria regenerativa: o próximo passo da sustentabilidade
A sustentabilidade ensinou empresas a olhar para seus impactos.
A regeneração propõe um passo adicional: usar a própria atividade econômica para fortalecer os sistemas dos quais o negócio depende.
Na hotelaria, isso pode envolver natureza, comunidade, cultura, fornecedores, colaboradores e hóspedes.
Não existe uma fórmula pronta.
Cada destino possui necessidades diferentes.
O mais importante é abandonar a ideia de que responsabilidade ambiental se resume a reduzir toalhas lavadas ou instalar algumas placas sobre economia de água.
Essas práticas continuam sendo importantes, mas representam apenas parte da solução.
A hotelaria regenerativa começa quando o empreendimento entende que faz parte de um território e procura deixar esse território melhor do que encontrou.
E esse pode ser um dos caminhos mais relevantes para o futuro da hospitalidade.